É certo que “Det Nya Svarta” (2017) colocou a fasquia bem alta, mas os suecos não decepcionam com este “Atomvinter”, fazendo-nos crer que os... Alfahanne “Atomvinter”

Editora: Indie Recordings
Data de lançamento: 04.10.2019
Género: black metal / post-punk
Nota: 4/5

Da Suécia com o seu alfapocalyptic rock, os Alfahanne cresceram a olhos visto de álbum para álbum através da sua mistura entre black metal e post-punk. Se “Alfapokalyps” (2014) foi uma surpresa, “Blod Eld Alfa” (2015) representou maturidade e “Det Nya Svarta” (2017) mostrou-se ser o melhor disco dos três com uma abordagem ainda maior a um post-punk robusto, negro e catchy. Depois disto, tudo seria uma incógnita quando surgisse o quarto trabalho e tudo seria difícil de ultrapassar. Com a novidade “Atomvinter” não podemos dizer que a genialidade dos Alfahanne alcançou um novo patamar; porém, novos elementos foram incluídos, demonstrando que os nórdicos não pretendem trair a base musical e de fãs, mas também não querem estagnar, materializando assim o mote de sempre, aquele que os conduz a fazerem o que mais sentem querer no momento.

Se o tema-título, que inaugura o álbum, é uma composição típica de Alfahanne, a seguinte “Lovers Against The World” apresenta uma entrada em piano e letras em inglês, algo que nunca fizeram – escreveram e cantaram sempre em sueco –, mas que sentiram necessário devido à projecção que têm tido fora da Suécia. Esta opção repete-se em “A Place To Call Home (Ärla Boggie)” – que inclui guitarra acústica e uma ambiência de fundo com reminiscências do que se fez em Inglaterra durante a loucura do post-punk oriundo de Manchester, bem como uma guitarra eléctrica melancólica e corrida com parecenças black metal – e “The Heavy Burden”, que possui um clímax final composto por riffs e leads de guitarra em repetição com mais ligações ao black metal.

Algum sentido de regresso às raízes da banda acontece em “Sluten Cirkel”, mais uma faixa tipicamente Alfahanne que podia ser incluída em qualquer um dos quatro discos, mas que melhor ficava no primeiro de 2014 ao unir-se o andamento do post-punk e o riff do black metal, este que com Alfahanne apresenta-se sempre menos cru e mais perceptível se tivermos em conta o conceito geral desse subgénero.

A última surpresa acontece em “En Tight Knut”, a faixa encerradora, com o seu início composto por um arranjo ambient e vários slides de guitarra enquanto Pehr Skjoldhammer discursa com a sua voz afiada que tem tanto de medonha como de sedutora. Um pouco à semelhança do que fizeram no disco de 2017, este é um tema que vai crescendo aos poucos em intensidade até ao rebentar final com todos os instrumentos a executarem um papel próprio em prol de uma conclusão memorável.

Quase a atingirem os primeiros dez anos de existência, os Alfahanne foram capazes de lançar quatro álbuns de enormíssima qualidade assente em criatividade sem medo. É certo que “Det Nya Svarta” (2017) colocou a fasquia bem alta, mas os suecos não decepcionam com este “Atomvinter”, fazendo-nos crer que os padrões qualitativos prosseguem equilibrados e atentamente supervisionados por músicos de grande gabarito.

Em exclusivo, a Metal Hammer Portugal partilha o streaming integral de “Atomvinter”, que podes ouvir acima.