Encontramos riffs hiper-decadentes, beats capazes de fazer levantar um morto e ainda uma produção de excelência. Alcoholocaust “Necro Apocalipse Bestial”

Editora: Helldprod
Data de lançamento: 05.09.2019
Género: black/thrash metal
Nota: 4/5

Três demos e muitos concertos depois, uma banda que conta já com 14 anos de carreira e algumas reviravoltas no seu alinhamento, conseguiu finalmente reunir todas as condições necessárias para lançar o seu primeiro álbum de estúdio… E já não era sem tempo.

Verdade seja dita, uma banda com este nome quase dispensa apresentações, e também não é necessária particular atenção para reconhecer o quinteto da Covilhã como um dos porta-estandartes no que toca ao enaltecimento do degredo e deboche tão típicos de uma vida de estrada e rock’n’roll. A detalhada biografia que acompanha o lançamento deste álbum quase soa a manifesto, reforçando a ideia de que esta vida não é para quem quer, mas sim para quem pode… Ou, digamos antes, para aqueles cujo fígado aguentar.

Tais níveis de alcoolismo e descontrolada atitude anti-poser podem rapidamente deixar uns quantos de pé atrás, por se poder tornar previsível o que terão para nos oferecer. Ideia que rapidamente se dissipa com os primeiros minutos do tema de abertura, em que para além de orelhudos refrãos gritados em português, encontramos também riffs hiper-decadentes, beats capazes de fazer levantar um morto e ainda uma produção de excelência. Ao jeito de uns Sodom, Toxic Holocaust ou até Deathhammer, tornam impossível resistir à vontade de abrir o pit e atirar umas quantas cervejas ao ar.

Títulos, letras e respectivas ilustrações, onde se poderão incluir diversas fotos da banda, não deixam margem para dúvidas. São pouco mais de 30 minutos de um desavergonhado-qualquer-coisa-blackened, meio speed, meio thrash, dispostos a deixar qualquer um sem fôlego. Com uma fasquia tão elevada, torna-se difícil salientar algum dos dez temas que constituem o álbum, mesmo sabendo que entoar “Blasfémia Total”, “Anti-Gótico” ou “Anti-Sóbrio” farão as particulares delícias de qualquer aficionado do old-school.

Merecedor de um lugar nos tops deste ano dentro do género, garante-nos sobretudo rock, pinga e blasfémia quanto bastem para mandar o politicamente correcto às urtigas.