Os saudosos Agalloch tiveram uma carreira notável entre 1995 e 2016, deixando um legado composto por álbuns como “Pale Folklore” (1999), “Ashes Against the... [Exclusivo] Don Anderson (Agalloch) recorda os EPs “The Grey” e “The White”

Os saudosos Agalloch tiveram uma carreira notável entre 1995 e 2016, deixando um legado composto por álbuns como “Pale Folklore” (1999), “Ashes Against the Grain” (2006) ou “Marrow of the Spirit” (2010). Entre esses e outros LPs, os norte-americanos também lançaram dois EPs experimentais com sonoridades afectas ao post-rock e neo-folk. “The Grey” e “The White” foram reeditados pela Eisenwald, o que nos fez ir à procura de Don Anderson, guitarrista e um dos principais mentores dos extintos Agalloch, que gentilmente nos oferece as suas memórias sobre estes dois EPs.

«Penso que é uma das melhores coisas que fizemos.»

Don Anderson sobre “The White”

Os EPs “The Grey” e “The White” são muito distintos entre si e no meio está o álbum perfeito “Ashes Against the Grain”. Foram esses dois EPs o espelho da prosperidade da experimentação?
Gosto de pensar neles dessa forma. Acho que posso falar pelos outros quando digo que os EPs oferecem uma oportunidade para realmente se experimentar de maneiras que não se podem fazer num álbum. Os nossos três EPs são declarações menores na nossa discografia geral, por isso acho que há mais liberdade para experimentar nesse formato. Assim, quando chega o momento de se fazer um álbum, podemos usar o que aprendemos com os EPs e incorporar o que queremos dessas experiências no disco. Nunca faríamos um álbum folclórico ou um álbum noisy/post-rock. Mas, para o lançamento de um EP, fazer coisas mais experimentais parecia apropriado.

Com o post-rock a dar os seus primeiros passos no mainstream naquela altura, a primeira faixa “The Lodge (Dismantled)” do EP “The Grey” é muito orientada a esse género. Rotula-lo como post-rock? E considerarias isso o início de mais experimentações no futuro da banda, como ouvimos em “Marrow of the Spirit”?
Já éramos influenciados pelo post-rock durante o “The Mantle”. Obviamente, sim, diria que “The Lodge (Dismantled)” é a nossa abordagem ao post-rock directo no estilo de bandas como Mono e Explosions in the Sky. Mas essa música surgiu quando começámos a tocar ao vivo no final de 2002 e tínhamos apenas dois álbuns. Também estávamos limitados na questão do que poderíamos fazer com esses álbuns numa banda básica de quatro pessoas. Agalloch começou como uma banda puramente de estúdio, sem limites para o que podíamos realizar em estúdio, e depois tornou-se uma banda ao vivo com severas limitações – o que acabámos por ver como uma oportunidade. Portanto, procurámos formas de transformar certas músicas em músicas ao vivo e eléctricas. Fizemos uma versão pesada da parte do meio de “In the Shadow of Our Pale Companion” durante esse período e, de seguida, decidimos fazer algo semelhante com “The Lodge”. Gostámos disso o suficiente para gravar aquilo que se tornou o EP “The Grey”. Por fim, o Jason [Walton, baixo] fez uma versão ambient da “Odal”. Na altura, o Jason estava muito envolvido na cena noise e isto foi o resultado.

O EP “The White” é orientado ao neo-folk de projectos como Of The Wand And The Moon. Olhando para trás, e mesmo que seja um EP e não um LP, considera-lo um passo ousado? E de que forma ajudou a moldar ou remodelar o lado folclórico de Agalloch?
Não acho que tenha sido uma jogada muito ousada, porque tínhamos usado muitas guitarras acústicas no “The Mantle” e tínhamos músicas muito folclóricas, como “The Lodge”. O EP “The White” surgiu de diferentes formas. Há faixas que tínhamos planeado para um EP abandonado que foi recortado e redistribuído entre o EP “The White” e a faixa-bónus do “Ashes Against the Grain”. Originalmente, eu tinha composto “Birch White” e “Birch Black” para um projecto neo-folk que eu queria fazer com o John [Haughm, voz/guitarra]. Mas em vez de criar um novo projecto com apenas nós os dois (na altura, o Jason não estava interessado em folk), começámos a vê-lo como uma dimensão diferente de Agalloch. Então, esse EP é uma colecção de partes de um EP abandonado, um projecto paralelo abandonado. Depois o John compôs “Sowilo Rune” e “Pantheist” especificamente para isto. O Chris Greene [bateria, 2004-2007] também compôs “Hollow Stone”. Maioritariamente improvisei “Summerisle Reprise” a partir da progressão de acordes de “Summerisle”, mas foi na mesma sessão em que gravámos “The Lodge (Dismantled)”. Apesar de todas as origens diferentes das faixas, acho que o EP soa muito coerente. Acho que a ideia do John envolver isto à volta do filme “The Wicker Man” só o tornou mais conceptual. Na minha opinião, penso que é uma das melhores coisas que fizemos.

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