Acritarch simboliza a zona pós-industrial em que Brooke Johnson cresceu, havendo, pelo meio, um teor depressivo. Acritarch: depressão e pós-industrialismo

Origem: Reino Unido
Género: industrial metal
Último lançamento: “The Dark That Stains Us All” (2019)
Editora: Works of Ein
Links: Bandcamp
Entrevista e review: Diogo Ferreira

Acritarch simboliza a zona pós-industrial em que Brooke Johnson cresceu, havendo, pelo meio, um teor depressivo.

«A música é implacável, avassaladora e densa.»

Último lançamento: «“The Dark That Stains Us All” é o lançamento mais agressivo e denso de Acritarch até agora. Cresci numa zona altamente pós-industrial, cheia de máquinas enferrujadas e cimento deteriorado, por isso tentei transformar esse ambiente em música. Como deverão esperar, a música é implacável, avassaladora e densa. Queria que o ouvinte se sentisse como se estivesse a ser engolido por um vasto mundo de máquinas antigas e decadência industrial.»

Conceito: «“The Dark That Stains Us All” foi composto e gravado durante um período de grave depressão clínica. Por ser sinestésico, quando sofro um episódio depressivo, isso toma conta de todos os meus sentidos e altera a minha percepção da realidade – é como ter outra realidade a afectar parcialmente o mundo real. Quis explorar e ilustrar esse outro mundo depressivo através da música, traduzir o processo de passagem pelos diferentes estágios e zonas do mundo depressivo e tentar usar a música como catarse.»

Evolução e referências: «Nunca planeei ter uma evolução musical em Acritarch. Sou influenciado principalmente pela região pós-industrial onde cresci e quis canalizar as coisas que vi e vivi para a música. As influências musicais directas são restritas a Red Harvest, os dois primeiros álbuns de SYL, Fear Factory, Misery Loves Co., Godflesh e várias bandas-sonoras de filmes de ficção-científica. Em vez de tentar reinventar o som a cada lançamento, exploro dentro de um mundo predefinido, usando limitações para ajudar a alimentar a criatividade e dar a Acritarch a sua própria voz e sensação distintas. Por fim, faço música para me agradar e, nesse sentido, Acritarch tem sido bem-sucedido.»

Review: Projecto pessoal de Brooke Johnson, Acritarch tem vindo a lançar material sem parar desde a sua criação em 2016. Para fãs de Ministry, Godflesh ou ainda Fear Factory, o som deste empreendimento inglês é, como já se deve ter percebido pela referências, industrial, com guitarras cheias de groove, uma bateria intensa e toda uma maquinaria sonora que dá apoio e cor a temas como “A Wound That Never Heals”. Interessante e atractivo.