O ano de 2020 não só marca o regresso dos My Dying Bride aos discos após uma temporada turbulenta com o vocalista Aaron Stainthorpe... Aaron Stainthorpe (MDB) sobre o triunvirato doom inglês: «É bom fazer parte de um movimento mas nunca o planeámos»
Foto: John Steel

O ano de 2020 não só marca o regresso dos My Dying Bride aos discos após uma temporada turbulenta com o vocalista Aaron Stainthorpe a ver uma filha a lutar contra um cancro e com o guitarrista Andrew Craighan a trabalhar para a banda praticamente sozinho, como também celebra os 30 anos de uma das mais importantes bandas de doom metal de sempre.

Com o vocalista a voltar a ligar-se a My Dying Bride aos poucos, a Metal Hammer Portugal questionou o britânico sobre como encara os próximos anos e de que forma a banda é necessária na sua vida. «Não tenho a certeza se vou estar a cantar em My Dying Bride, mas espero estar cá por mais uns 50 anos, talvez. A cena com My Dying Bride é que tínhamos empregos quando formámos a banda, como quase todas as bandas, por isso sempre encarámos My Dying Bride como um passatempo, algo que fazíamos à noite e aos fins-de-semana quando não estávamos a trabalhar. Quando tens um bom passatempo que realmente gostas, não há necessidade de parar, e duramos há 30 anos porque gostamos mesmo daquilo que fazemos. É divertido ser-se criativo e não dependemos do dinheiro de My Dying Bride para vivermos, para termos um telhado, para ter comida na mesa. Podes depender da música neste género, mas não podes depender de dinheiro neste género. É tão um género de música de nicho que é impossível fazer dinheiro, porque ninguém gosta deste tipo de música. Se decidirmos ser [músicos] profissionais e fazer de My Dying Bride a única forma de rendimento, então teremos de compor músicas altamente comerciais, músicas pop de três minutos, e não é isso que queremos fazer. Gostamos de fazer o que fazemos, fazemo-lo à noite e ao fim-de-semana, e mantém-nos felizes. Quando um membro antigo sai, não importa; se a banda fizer uma pausa, tudo bem, não dependemos do dinheiro de My Dying Bride, porque não há muito.»

Por aquela altura, rebentava o black metal na Noruega e o death metal na Suécia e na Florida (EUA), mas também uma nova forma deste último subgénero em Inglaterra, algo menos pestilento, mais arrastado e melódico, com conceitos menos sangrentos e mais espirituais, em que perdição era o maior condimento. Os Anathema de Liverpool e os Paradise Lost e My Dying Bride de Halifax tornar-se-iam no triunvirato doom/death metal inglês. «É óptimo ser-se parte disso, mas quando isso se estava a formar no início dos anos 1990, não fazíamos ideia de que íamos fazer parte de um movimento, apenas compões e gravas o que realmente queres e vês como corre», comenta Aaron. «Na altura, as influências das três bandas vinham da música que estava a acontecer na cena… Candlemass, Celtic Frost, todo o tipo de coisas. Adorávamos isso e queríamos soar um pouco a isso. Mas nunca assumes que vais fazer parte de um movimento, só esperas que as pessoas gostem do que fazes. Só há alguns anos é que jornalistas e fãs começaram a juntar as três bandas – todas na Peaceville Records, todas oriundas do norte de Inglaterra, todas a tocar um estilo semelhante de música profunda. Há uma ligação forte, mas não o sentíamos no início. Acho que só em uma ou duas ocasiões é que as três bandas tocaram no mesmo palco, algo que, claro, os fãs adoraram. É bom fazer parte de um movimento, mas nunca o planeámos. Estou muito orgulhoso de tudo o que fizemos, e se as pessoas nos consideram os percursores deste tipo de música, então fico muito contente com isso.»

“The Ghost of Orion” será lançado a 6 de Março pela Nuclear Blast.