“The Infernal Pathway” é o título do novo álbum dos 1349 e foi lançado no passado dia 18 de Outubro pela Season Of Mist.... Ravn (1349): «Senti que o black metal estava a perder as premissas que adorava nele, encontrei pessoas que concordam comigo e que queriam mudar isso»

“The Infernal Pathway” é o título do novo álbum dos 1349 e foi lançado no passado dia 18 de Outubro pela Season Of Mist. Do outro lado, para nos falar da actualidade da banda, estava Ravn, vocalista e membro-fundador, que começa por nos contar como é que o grupo gere a sua forma de estar na indústria musical. «Temos um ditado na banda… A banda tem vontade própria. Basicamente, 1349 é um ser dono de si mesmo e nós os quatro somos apenas os serventes. A banda tem um espírito e uma energia, e isso é basicamente o que nos guia. O tempo que demora [a fazer um álbum] e o processo até lá se chegar não é algo que pensamos muito. Leva o tempo que levar e acontece quando acontece. Aprendemos a saber quando é certo, e talvez não seja a melhor maneira de ser se pensares nos aspectos comerciais e como tratas os teus fãs. Uma vez que tocamos black metal, sentimos que estamos autorizados a fazer o que queremos, e é assim que deve ser quando executas esta forma de arte. Desta vez demorou cinco anos. Tem demorado mais tempo a cada álbum. Portanto, é assim que é. Não é algo em que nos focamos muito, nem falamos muito. Basicamente, não queremos forçar um álbum, porque sabemos que não é isso que a banda quer e que o espírito da banda quer, portanto não acontece. Temos que obedecer ao que acontece.»

Podendo ser já considerada uma banda de culto no seio do black metal norueguês, “The Infernal Pathway” revela uma transformação notável em 1349 com toda uma linha ténue que separa elegância e caos em faixas como “Through Eyes of Stone” e “Dødskamp”. Ravn concorda. «Acho que as palavras usadas se aplicam ao álbum, e é claro que o ouviste e que o compreendeste. Vês e sentes a música da mesma maneira que nós. São palavras que podem ser usadas no álbum. A fronteira entre caos e graciosidade e elegância… É uma observação muito boa. Ainda não tinha pensado nisso dessa forma, mas concordo completamente contigo. O equilíbrio entre elegância e caos é uma boa descrição para 1349.»

Quem faz parte deste quarteto desde 2000 é Frost – esse mesmo, o baterista de Satyricon. Mais uma vez, e já depois da brilhante performance em “Deep Calleth upon Deep”, disco da sua banda-mãe, o norueguês volta a exibir-se ao mais alto nível. O seu colega, aqui entrevistado, não lhe poupa elogios. «A sua transformação já começou em “Massive Cauldron of Chaos” [2014]. Na altura, elogiei-o sobre o seu estilo de bateria ter mudado imensamente até esse álbum. Ele começou a desenvolver groove. Antes, ele tinha um estilo mais estático e mecânico, mas depois começou a incorporar groove. “Massive Cauldron of Chaos” foi o primeiro álbum em que se pôde ouvir isso claramente. Depois saiu o álbum de Satyricon e disse-lhe que era a performance da sua vida e que estava ansioso por ver o que ele ia sacar da manga no nosso próximo álbum. Combinas isso com as habilidades de Archaon na guitarra e também as habilidades composicionais, a forma como ele se desenvolve enquanto compositor… É algo único de se ver.»

Já se falou aqui em banda de culto, e muito disso tem origem na estável formação que se mantém desde 2000, uma altura em que ainda faltariam três anos para lançarem o debutante “Liberation”. Se a norma é formar-se uma banda com amigos, Ravn partilha connosco um outro conceito mais complicado e mais missionário, mas ainda assim, como os 1349 provam, funcional. «Acho que o segredo é que 1349 é uma banda que foi formada com uma missão. Na segunda metade dos 1990s, senti que o black metal estava a perder todas as premissas que eu adorava nele. A horribilidade e o lado ritual desapareceram, tornando-se num género mais baseado em sintetizadores e no aspecto gótico. Em vez de me queixar disso, formei 1349, encontrei pessoas que concordam comigo e que queriam mudar isso. Ou nem era mudar, mas reiniciar e retomar, fazer black metal da forma como deve soar e parecer. São as fundações básicas para se formar 1349. Não é uma banda formada por amigos, o que é uma parte comum das pessoas que são amigas e formam uma banda. Não foi assim que se formou 1349. Formei a banda e encontrei pessoas que estavam interessadas em fazer a mesma coisa, por isso estamos nisto com a mesma missão, o mesmo objectivo perante nós. É claro que nos tornámos amigos e estimamos a nossa amizade quando estamos em digressão, mas não nos encontramos frequentemente para beber uma cerveja. Focamo-nos na parte musical e tudo o resto é apenas um benefício disso. Quando nos encontramos, em termos de banda, apreciamos a companhia – e saímos, claro –, mas é muito raro encontrarmo-nos fora de situações relacionadas à banda. Acho que é muito único, e estimo mesmo conhecer, actuar e estar com estas pessoas. Já lá vão 20 anos e têm sido 20 interessantes anos, tanto numa boa como, claro, por vezes, numa má maneira. A vida é assim no geral. A vida sobe e desce, também é assim com a vida numa banda.»