“Human Target” é um álbum adulto, extremamente bem captado, produzido e executado, que deveria colocar os Thy Art Is Murder no topo da cadeia... Thy Art Is Murder “Human Target”

Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 26.07.2019
Género: deathcore
Nota: 4.5/5

Prisões privadas reforçam Estados policiais. Medicamentos adormecem a mente. Redes sociais distraem a mente. Tudo isto enquanto o planeta sucumbe às alterações climáticas. Num cenário de distopia pós-moderna, caos e confusão, os austrais Thy Art Is Murder avançam com o quinto álbum “Human Target”, o mais crítico e destrutivo trabalho da banda.

Mais do que deathcore furioso e muito bem executado, “Human Target” é um manifesto sociopolítico. “New Gods”, com a sua patada inspirada no metal industrial, é sobre o papel das redes sociais na construção silenciosa de doenças mentais; “Death Squad Anthem”, que é deathcore autêntico, aplaude a juventude que está farta do sistema actual; “Make America Hate Again” arranca com uma malha à thrash metal, desenvolvendo-se até aos típicos breaks do subgénero, e ataca abertamente um sistema político, satirizando a expectativa de que qualquer governo pode fazer regressar às massas a grandeza de algo; “Welcome Oblivion” apresenta uma faceta prog entre bateria polirrítmica e guitarra cintilante para, conceptualmente, comparar a humanidade a um cancro que se arrasta no planeta; “Atonement” começa com uma melodia que evoca falsa segurança e, de repente, explode num frenesim death metal repleto de camadas sonoras que o torna um dos temas mais abrasivos do disco, ao mesmo tempo que examina a verdade da violência sexual que, maioritariamente, não é denunciada; “Voyeurs into Death”, que volta a fazer retornar o álbum ao estilo mais regular do deathcore – ainda que com um breve gutural mais grave do que o normal por parte de CJ McMahon –, reflecte raivosamente sobre as prisões privadas que fazem dos EUA uma nação com quase 1% da sua população atrás das grades; “Eye for an Eye” combina o tecnicismo do thrash metal, a melodia do metalcore e breaks matemáticos para nos avisar que a Terra vingar-se-á de nós e sobreviverá sem a humanidade; e a última “Chemical Christ”, com mais breaks, leads luzidios a fazer lembrar Korn e uma bateria algo complexa, expõe a religião do vício, desde medicamentos a smartphones.

“Human Target” é um álbum adulto, extremamente bem captado, produzido e executado, que deveria colocar os Thy Art Is Murder no topo da cadeia alimentar da cena metal mundial. O novo baterista Jesse Beahler apresenta-se ao mundo como um músico astronómico, Kevin Butler (baixo), Sean Delander (guitarra) e Andy Marsh (guitarra) dispensam apresentações quanto à labuta infernal e criativa que protagonizam, e o vocalista CJ McMahon fez bem em sair de cena durante uns tempos, pois agora atinge o estatuto de camaleão do berro e do gutural.

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