Um álbum massivo, mas versátil, onde a componente melódica se combina de forma surpreendente com a dissonância e o caos. This Gift Is A Curse “A Throne of Ash”

Editora: Season Of Mist
Data de lançamento: 14.06.2019
Género: black/sludge metal
Nota: 4/5

Será já sem grande surpresa que dizemos: nem só de death metal se faz a Suécia. Ano após ano, os escandinavos continuam a demonstrar-se mais do que competentes na produção de outros géneros musicais, sem qualquer necessidade de se fazerem valer do seu extenso historial no que toca a música extrema.

Os elementos de This Gift Is A Curse cruzaram-se por coincidência em 2008, e os seus dois álbuns, “I, Gvilt Bearer” e “All Hail the Swinelord”, lançados em 2012 e 2015 respectivamente, garantiram-lhes desde logo um lugar de destaque, sobretudo pela mistura de estilos que encontramos. Aliando o black metal ao sludge, criam uma estrutura de suporte ideal para que se explorem inúmeras influências, que podem ir desde o hardcore ao noise. Este período de quatro anos, passados desde o lançamento do seu segundo álbum, resulta num claro amadurecimento da banda e consolidação do seu registo. A opção de recrutarem David Deravian como segundo guitarrista também contribuiu para tornar uma sonoridade já de si complexa num labirinto sufocante.

“A Throne of Ash” revela-se então uma verdadeira viagem ao abismo, onde uma bateria incansável e enfurecida acomoda uma intrincada dinâmica de cordas e vozes, tornando impossível captar tudo o que o álbum oferece numa primeira audição. “Haema” revela-se uma nota introdutória para um assalto aos sentidos e são necessários meros segundos para nos sentirmos confrontados por uma primeira descarga de blast-beats castigadores. Em “Gate Dweller” as guitarras voltam a combinar-se numa harmonia duvidosa, capaz de gerar uma total sensação de desespero e impotência, que se pode dizer inerente à nossa condição enquanto espécie. Se tudo a isto juntarmos as letras misantrópicas e as constantes referências ao oculto, a atmosfera ritualista adensa-se e quase que nos podemos sentir consumidos pela monstruosa wall of noise que apresentam. “Monuments for Dead Gods” merece um particular destaque pelas suas notas mais atmosféricas que, a par de “Wormwood Star” no final do álbum, acaba por se tornar o espaço onde qualquer doomster aficionado se sentirá mais do que bem-vindo. A participação de dois vocalistas convidados, Thomas Ekelund (Trepaneringsritualen) e Johannes Persson (Cult of Luna), nos dois últimos temas também contribui para a crua dinâmica do álbum, sem afectar a coesão entre as diferentes partes.

Um álbum massivo, mas versátil, onde a componente melódica se combina de forma surpreendente com a dissonância e o caos. Em conjunto, todos estes elementos tornarão qualquer regresso a este álbum uma experiência inovadora.

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