Foi em Outubro de 2018 que os portuenses Moonshade editaram o seu longa-duração de estreia "Sun Dethroned", provando que em Portugal também se fazia... Moonshade: forjados no fogo

Género: death metal melódico
Origem: Portugal
Último lançamento: Sun Dethroned (2018)
Editora: Art Gates Records
Links: Facebook | Bandcamp
Entrevista: Joel Costa | Review: Diogo Ferreira

Foi em Outubro de 2018 que os portuenses Moonshade editaram “Sun Dethroned”, o seu longa-duração de estreia, provando que em Portugal também se fazia death metal melódico de liga mundial. A Metal Hammer Portugal, pelas palavras do vocalista Ricardo Pereira e do guitarrista Daniel Laureano, recorda este trabalho.

“Sun Dethroned” é um álbum diferente daquilo que se vê na cena portuguesa.

Sobre “Sun Dethroned”: «Tentamos ser realistas nas nossas expectativas e concentrar-nos apenas em concretizar a nossa versão artística. “Sun Dethroned” é um álbum diferente daquilo que se vê na cena portuguesa, com um mundo próprio e uma história que é essencialmente uma alegoria para a condição humana, complementado com uma sonoridade que vai no sentido oposto às tendências recentes: mais no sentido do “épico” e do “melódico”. Sendo que também tem pouco ou nada da sonoridade dita “old school” nem reside no espectro entre a nova e a velha escola. Soa simplesmente a nós.» (Ricardo Pereira)

Conceito: «Procurámos usar o conceito de Yin Yang como leve influência, sendo que existem duas personagens – a primeira representa aquilo que a humanidade tem de pior, o seu lado negro (“God of Nothingness”), enquanto a segunda personagem representa o lado da luz (“Lenore”). Enquanto ambos existem, também existe o equilíbrio, que se perde no momento em que o lado luminoso cessa a sua vida.» (Daniel Laureano)

Composição: «O som tem mudado de maneira fluída. O que saiu em “Sun Dethroned” foi fruto dos nossos gostos em comum enquanto artistas, no sentido em que não compomos tendo uma sonoridade específica em mente. Muitas bandas fazem isso e muitas até fazem grande sucesso à custa de estudar muito bem o que está na moda ou não, e ninguém aqui é contra isso, simplesmente não é a nossa onda, pelo menos para já.» (Ricardo Pereira)

Referências musicais: «Há uma forte base no death metal melódico do norte da Europa. No entanto, ouvidos minimamente atentos também conseguem captar um pouco de tudo: Paradise Lost, Megadeth, Swallow The Sun e inclusive influências clássicas na composição das orquestrações, entre outros. O impacto que estas influências tiveram não é propriamente fácil de precisar. Todos os membros da banda têm gostos distintos e um conjunto de influências bastante alargado. Sendo que compomos de maneira completamente orgânica, o facto de este álbum ter as influências referidas e não outras é de certa forma fruto do acaso. Sendo incrivelmente cliché, “foi o que saiu”. Na próxima poderá ou não ser diferente.» (Ricardo Pereira)

Futuro: «É mais uma resposta algo cliché, mas acreditamos sinceramente que a única maneira de continuar é a procurar fazer sempre mais e melhor: queremos continuar a desenvolver o nosso som através do nosso output discográfico, tal como desenvolver a nossa imagem tanto artística como pública, algo que se traduz em mais e maiores concertos, sobretudo no estrangeiro, onde temos a grande ambição de começar a criar mais presença. Confiamos muito no nosso trabalho e na nossa visão, pelo que tencionamos fazer tudo o que esteja ao nosso alcance para progredir cada vez mais.» (Daniel Laureano)

REVIEW
Moonshade
«Sun Dethroned»

Art Gates Records, 2018


Do Porto, os Moonshade provaram com “Sun Dethroned” (2018) que por cá também se faz death metal melódico de liga mundial. Influenciados pela sonoridade sueca, o quinteto elabora cenários épicos inspirados em Amon Amarth e Amorphis através de preenchimentos/arranjos de teclado e, obviamente, através de uma dose muitíssimo presente de leads de guitarra bem executados e bem engendrados que são mais do que suficientes para classificar este álbum como uma oferta muito cativante. E quando aquilo que ouvimos não é energético ou épico, é por sua vez melancólico sem ser tristonho, mas ainda assim com uma inclinação ao fatalismo bélico de outros tempos ou de outros mundos. Ao primeiro longa-duração, que demorou cerca de oito anos a ser lançado, o salto está mais do que dado.

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