Ainda a promover "Mirror Construction (…a Disordered World)" de 2018, os Mindreaper já estão a preparar um próximo disco, e esperam que não demore... Mindreaper: desconstrução social

Género: melodic death metal
Origem: Alemanha
Último lançamento: “Mirror Construction (…A Disordered World)” (2018)
Editora: MDD Records
Links: Facebook | Bandcamp
Entrevista: Soraia Almeida | Review: Diogo Ferreira

Ainda a promover “Mirror Construction (…a Disordered World)” de 2018, os Mindreaper já estão a preparar um próximo disco, e esperam que não demore mais seis anos.

«O público pode esperar um álbum repleto de faixas de death/thrash metal com um toque old-school.»

Objectivos: «Desde que começámos o processo de composição, tentámos que as nossas mentes estivessem limpas e receptivas a qualquer tipo de inspiração que pudéssemos alcançar, porque o novo trabalho seria um projecto começado do zero, comparando aos nossos últimos lançamentos. O principal objectivo era escrever um álbum que contemplasse todas as nossas ambições artísticas e que nos marcassem para sempre. E que a fama ou qualquer questão financeira não ofuscassem as nossas opiniões em termos de composição musical. Tínhamos confiança suficiente que o nosso trabalho poderia alcançar uma quantidade considerável de pessoas, o que felizmente conseguimos com o apoio da Black Sunset / MDD Records. O público pode esperar um álbum repleto de faixas de death/thrash metal com um toque old-school, sem tentar ser uma cópia do mesmo.»

Conceito: «”Mirror Construction (…A Disordered World)” reflecte a realidade do quotidiano das pessoas. Todas as músicas descrevem o quanto avançada, hipócrita e mentirosa é a nossa sociedade. As letras das músicas representam um reflexo prolongado, de um ponto de vista racional, metafórico, filosófico, imaginativo, mas essencialmente sábio. Por vezes, parecem pessoas com representação individual (“Bull’s Eye”, “Mirror Artifacts”, “Purity of Wrath”, “Against the Flood”, “Torch’s Fall”) ou, numa perspectiva mais alargada, com os seus efeitos (“Enigma”, “Stillborn God”, “Passage to Extinction”, “New Age Tyranny”, “Story of Rejection”).

Composição: «Isso é um pouco complicado. O line-up de “Mirror Construction (…A Disordered World)” mudou dramaticamente comparando-o com os outros lançamentos. Na altura do EP “Absolute Zero” ou do LP “Human Edge”, o Gunter, o nosso antigo guitarrista, era o principal compositor. O Ens e eu não fazíamos parte da banda nessa altura. Quando entrámos para a banda, ele decidiu sair e havia apenas quatro músicas que poderíamos utilizar, porque compusemo-las em conjunto. Mas o resto das músicas tiveram que ser compostas do zero. Isso levou-nos a uma composição completamente diferente, até porque aprecio vários géneros musicais que não estão necessariamente ligados ao death/thrash metal. A elaboração dos detalhes são especialmente muito importantes para mim, porque torna a música mais profunda, mesmo que seja algo simples desde o seu protótipo inicial. Eu escrevo os temas no Guitar Pro, onde componho as linhas de guitarra, baixo, piano e arranjos de bateria. Se a composição for satisfatória, partilho com os outros membros e eles dão-me o seu feedback sobre o que deve ser ou não mudado. Dependendo disso, continuo a trabalhar de modo a que todos se possam identificar com o objectivo do tema. Desta maneira, gravamos algumas demos, onde trabalhamos os arranjos de voz. Mas essa tarefa ficou ao cargo do Sebastian e do Manuel. Claro que o Sebastian escreveu a maior parte das letras num estilo crítico social em que Mindreaper se enquadra. Mas no caso da música “Story of Rejection”, do novo álbum, as letras surgiram na minha cabeça, imediatamente após eu ter terminado a composição. Decidi então fazer uma demo de voz para mostrar ao pessoal o que eu idealizava. Felizmente, eles gostaram e gravaram as vozes e as letras da forma como eu tinha feito naquela demo. O mesmo aconteceu com a música “Mirror Artifacts”, onde o Manuel apareceu com a inspiração lírica. Ele tem outra banda, onde canta e tem muita experiência em coros e coisas assim. Mas geralmente a composição lírica pertence ao Sebastian. Na verdade, este desenvolvimento nos últimos 2-3 anos não foi de todo planeado como banda. Apenas aconteceu de uma forma natural e estamos orgulhosos por termos encontrado o nosso próprio método de compor.»

Influências: «Posso responder a essa pergunta apenas através do meu gosto musical e da minha idealização de uns bons e fluentes discos. Sempre preferi discos que contam uma história e que têm alguma dinâmica. Os momentos mais marcantes são muito importantes para mim, desde a primeira até à última música. Nos dias que correm, a maioria do death e thrash metal é mesmo chata. Riffs repetitivos acompanhados de imensos blast beats, e na sua maioria só ouves um bombo despropositado. Cresci a ouvir Rainbow, Sabbath, W.A.S.P., mas também bandas como Opeth, Death e Emperor. Todas essas bandas marcaram a sua época com um som único e compuseram músicas que serão para sempre memoradas, independentemente de uma produção polida ou áspera. Ainda não conseguimos algo assim, mas aprendi com esses acontecimentos a prestar atenção aos momentos memoráveis. Quando começámos a nossa composição musical, não estava nos nossos planos ter um som único. No máximo, apenas pretendemos criar músicas que, esperamos, não serem esquecidas tão rapidamente.»

Futuro: «Neste momento estamos ansiosos por terminar os concertos planeados para 2019 e a procurar agendar outros tantos para 2019/2020. Ao mesmo tempo, estamos a trabalhar em músicas novas e a acabar uma série de novas faixas em formato demo. Além disso, esperamos que o próximo lançamento não demore mais seis anos.»

Review: Mesmo sem ser uma inovação no panorama do death metal melódico, o som deste colectivo germânico tem um sentido refrescante, havendo nele algo amplo e sem medo, mesmo que não se arrisque assim tanto quanto isso. Por exemplo, temas como “New Age Tyranny” apresentam-se ortodoxos no que ao melodeath metal diz respeito, mas a secção final é completada por uma passagem acústica que tão bem sabe ouvir. Indicados para fãs dos bem mais recentes Aephanemer.

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