Fundados em 1984, os Mayhem são pedra angular do black metal e, possivelmente, a banda com a história mais macabra de sempre. Cada disco... Mayhem: o que esperar de “Daemon”?

Fundados em 1984, os Mayhem são pedra angular do black metal e, possivelmente, a banda com a história mais macabra de sempre. Cada disco fala por si, e é por isso que, quando se aproxima o lançamento de um novo trabalho, a curiosidade é reinante. Em antecipação a “Daemon”, quatro elementos da Metal Hammer Portugal dão o seu palpite sobre o que desejam ouvir no sexto álbum de Mayhem.

Diogo Ferreira: A discografia dos Mayhem mostra o evidente: cada guitarrista assinou o seu nome com engenho muito particular. Euronymous era ríspido e afiado, Blasphemer foi mecânico e veloz, Teloch é dissonante e hipnótico, mas todos partilham uma toada sombria. Tendo em conta que a banda já afirmou que “Daemon” não será o sucessor directo de “Esoteric Warfare” e que também não será a recriação de clássicos, desejo ouvir um álbum de black metal à Mayhem que ofereça o sabor próprio do extremismo musical norueguês salpicado por atmosfera densa e pitadas de progressivo negro. Pode parecer um desejo incauto, mas só estou a tomar partido daquilo que a banda diz: cada disco é um «lobo solitário e singular».

João Correia: A primeira coisa que assalta é a simplicidade do título. Quando recordamos a complexidade e inovação musical que os Mayhem apresentam desde a sua fundação, bem como nomes de discos ora mais intelectuais, ora mais crípticos, sentimos estranheza ao ler apenas “Daemon”. Um título curto não está directamente relacionado com ausência de grandeza (olhemos para “Chimera”, por exemplo), mas, quando é tão simplista e até batido há décadas, a coisa muda de figura. No entanto, esperar algo dos Mayhem abaixo de bom seria inocente e pouco realista. Há algo partilhado por todas as pessoas do planeta, indiferentemente das culturas, credos ou naturalidades: os hábitos. Estamos habituados a ir aos mesmos cafés, a sair com as mesmas pessoas, a perpetuar os nossos rituais, desde ir ao ginásio em certos dias, a beber copos ao fim-de-semana. Os nossos hábitos acabam por ser a nossa biografia. Também estamos habituados a surpresas da parte dos Mayhem. Certamente que esta é apenas mais uma.

Joel Costa: Nenhum álbum de Mayhem é igual ao outro e é precisamente isso que espero de “Daemon”; um trabalho lustroso que não procure repetir velhas fórmulas que resultaram no passado mas que poderão não surtir o mesmo efeito actualmente. O black metal nunca mais terá outro “De Mysteriis Dom Sathanas”, e ainda que neste último “Esoteric Warfare” os Mayhem tenham procurado replicar os riffs intensos e de precisão cirúrgica que Blasphemer executou em “Chimera” ou “Grand Declaration of War”, espera-se uma banda renovada e livre de qualquer barreira criativa, dando continuidade à revolução musical que iniciaram em 1984.

Luís Alves: Em “Esoteric Warfare”, um disco que representou um renascimento dos Mayhem, Teloch tentou fundir o estilo primordial de Euronymous com algum do tecnicismo e agressividade que Blasphemer trouxe entre “Wolf’s Lair Abyss” e “Ordo Ad Chao”. Em consequência disto, “Esoteric Warfare” acabou por ser um disco em que a tentativa de preservar o passado da banda juntamente com uma produção menos elaborada, resultou num esforço que não figura no panteão dos discos mais aclamados de Mayhem. O que prevejo de “Daemon” é que seja uma continuidade do que já ouvimos em “Esoteric Warfare”, mas com uma produção possivelmente mais refinada. Resta é esperar que Teloch tente desbravar novos caminhos e adicionar um elemento de disrupção a “Daemon”, algo ao qual os Mayhem nos habituaram no período em que o seu predecessor ocupou as funções de principal compositor da banda.

“Daemon” será lançado a 25 de Outubro pela Century Media Records.

Outras publicações: