Se havia algo que estava a fazer falta aos Fleshgod Apocalypse, era uma lufada de ar fresco. Fleshgod Apocalypse “Veleno”

Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 24.05.2019
Género: symphonic death metal
Nota: 4.5/5

Se havia algo que estava a fazer falta aos Fleshgod Apocalypse, era uma lufada de ar fresco. O som que definiram no bem-conseguido “Agony” (2011) foi um quanto mal aproveitado no sucessor “Labyrinth” (2013) e aprumado em “King” (2016), mas ao juntá-los temos um trio de discos que revela uma banda que não pretende sair da sua área de conforto, pois quando se pega no novo “Veleno” e se ouvem os dois primeiros temas (“Fury” e “Carnivorous Lamb”) é fácil manter a opinião de que os Fleshgod Apocalypse continuam na mesma: a velocidade bem metralhada do death metal em união com os sublimes teclados e passagens orquestrais continua, assim como a alternância entre os guturais de Francesco Paoli e os falsetos de Paolo Rossi com intervenções ocasionais de sopranos femininos, não sendo nenhuma novidade e mantendo-se também pelo disco todo.

À terceira faixa é que o caso muda de figura: “Sugar” mostra uns Fleshgod Apocalypse destemidos, com riffs menos densos, mas com mais groove e mais melodia, e com solos mais prolongados e hipnóticos que talvez estejam numa onda mais heavy metal do que propriamente death metal, neste sentido fazendo lembrar a versão mais recente dos Behemoth.

Até se fica a pensar que “Sugar” pode ser um caso isolado, que pode ser a ‘única a olhar o céu’, mas, daí para a frente, é este lado muito mais progressivo que está ao de cima e que consegue criar temas realmente poderosos, como a épica “Embrace The Oblivion”, a intrépida “Pissing On The Score”, a mais in-your-face “Worship And Forget” ou as trágicas melodias de “The Day We’ll Be Gone” que tem uma excelente prestação vocal de Veronica Bordacchini.

“Veleno” representa a vontade destes italianos em evoluir e fugir à estagnação, uma evolução que acabou por ser bem melhor do que o esperado e assim nasceu um disco de alta qualidade.

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