Isto é um senhor disco de grindcore, não uma descarga desenfreada de brutalidade feita só porque sim. Birdflesh “Extreme Graveyard Tornado”

Editora: Everlasting Spew Records
Data de lançamento: 28.06.2019
Género: grindcore
Nota: 4.5/5

Pode não parecer à primeira vista, especialmente se estivermos a olhar para o logótipo da banda que parece ter sido feito por um filho de quatro anos de algum membro da banda, mas os Birdflesh são uma das bandas de grindcore mais activas e com uma das carreiras mais duradouras dentro do género. Para além disso, apesar da temática gore e sexual cómica, o grindcore com bastante thrash é mais do que agradável, fazendo pensar noutros nomes grandes do género como Repulsion e Macabre. Se dúvidas existissem, o ouvinte leva logo com a brutalidade bem composta de “Towards Insanity” na abertura do disco.

Mais malhas de grind, e com nomes ainda mais interessantes, podem ser encontradas na quase meia hora de agressão sonora que aqui está: “House Guest” e “Bite The Mullet” têm refrãos bem vingados que farão sucesso ao vivo; umas mais complexas, como “Accused of Suicide” e “Milkshake Is Nice”, dão variedade ao disco e maior relevo à técnica da banda, mostrando que, pelo menos essa parte, é bem levada a sério. Ainda nesse aspecto, “Black Hole Jaw” leva a medalha de tema mais diversificado do disco, com um pequeno momento orquestral no meio do comboio de riffs que a faixa possui, e até um solo lá perto do fim – e tudo em um minuto e meio.  

Isto é um senhor disco de grindcore, não uma descarga desenfreada de brutalidade feita só porque sim.

Os Birdflesh justificam muito bem os seus longos anos nestes meandros com um arranjo de temas extremamente interessantes e que dão muita vontade de voltar a pegar neles: “Crazy Train Decapitation” e “The Rise of Stupidity” são mais do que nomes engraçados, mas sim alguns exemplos do melhor que se pode fazer em grind, e “Extreme Graveyard Tornado” é um modelo de disco que, não sendo de todo inovador, deveria ser seguido por muitos artistas contemporâneos do género que fazem o estilo parecer nada mais do que um concurso para ver quem faz mais barulho em menos tempo.

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