Os norte-americanos Baroness estão de volta com “Gold & Grey”, aquele que consideram ser o seu trabalho mais ambicioso até à data. Baroness: «Não quisemos impor quaisquer barreiras em nós próprios ou no processo de criação.»
Fotografia: Cortesia dos Baroness

Os norte-americanos Baroness estão de volta com “Gold & Grey”, aquele que consideram ser o seu trabalho mais ambicioso até à data. Assumindo desde logo o objectivo de quebrar as barreiras do género através do experimentalismo, os Baroness convidam-nos para uma jornada musical onde o jazz, o prog e até mesmo o space-rock caminham lado-a-lado com as qualidades hipnóticas do trip-hop e o minimalismo musical associado ao Séc. XX. A Metal Hammer Portugal contou com a guitarrista Gina Gleason para nos falar da visão artística que a banda levou a cabo naquele que é o seu quinto álbum e o primeiro em que Gina participa. A saltar desde logo à vista está o facto de este ser um disco longo, ultrapassando por pouco a marca dos 60 minutos. Foi precisamente por aí que começámos.

«Na abordagem a este disco não quisemos impor quaisquer barreiras em nós próprios ou no processo de criação», justifica Gleason. «Este trabalho acabou por ficar um pouco mais longo e isso foi bom, pois permitiu-nos criar várias músicas diferentes e uni-las no mesmo disco. Fez com que se tornasse mais numa espécie de audição cinematográfica do início ao fim, ao invés de dar a conhecer os temas individualmente. É um disco para ser ouvido como um todo… Como se fosse uma música muito longa.» A guitarrista considera que actualmente ainda há espaço para discos compridos, explicando que, «como ouvinte de música e como compositora, aprecio discos assim». «Não foi algo que nos predispusemos a fazer, simplesmente aconteceu. Não quisemos comprometer a nossa criatividade e apenas aceitámos isso. É uma jornada única.»

Sendo este o seu primeiro verdadeiro teste com os Baroness, Gina Gleason afirmou não saber o que esperar do processo de gravação antes de ter entrado em estúdio: «Não sabia muito bem o que esperar, pois nunca gravei um disco desta magnitude. Quanto ao processo de composição, já tinha construído algumas expectativas, pois compor riffs e solos de guitarra já era algo dentro da minha zona de conforto. Tudo isso mudou para mim a partir do momento em que os temas começaram a evoluir e as barreiras iam sendo quebradas, pois permitimo-nos fazer as coisas com mais fluidez e entrar num registo mais experimental.» A compositora prossegue: «A percepção que eu tinha da guitarra e da forma como toco evoluiu bastante nesse processo, uma vez que percebi que um solo ou um simples riff nem sempre acrescenta algo a uma música, e que tocar apenas uma nota com delay pode fazer a diferença necessária. Definimos como prioridade servir bem cada um dos nossos temas e penso que isso funcionou.»

É uma produção única e não há mais nada a soar assim.

Assim que os Baroness deram a conhecer os primeiros singles de avanço deste “Gold & Grey”, nomeadamente “Borderlines” e “Seasons”, as redes sociais da banda foram atingidas por comentários negativos, onde os fãs questionavam aquilo que consideravam ser uma má produção. Gina Gleason comenta: «É uma produção única e não há mais nada a soar assim. Como fã de longa data dos Baroness, acho que vai ao enontro daquela mentalidade da banda em que desafiam os limites e experimentam coisas novas, não mantendo a mesma produção álbum após álbum. Sinto também que o disco fará mais sentido se ouvido na íntegra do que se ouvirmos os singles isoladamente. Espero que as pessoas entendam a produção quando virem o quadro completo e percebam o que fizemos com esses temas no contexto do álbum.»

A compositora, que já trabalhou com Carlos Santana e Smashing Pumpkins, e que deixa também para trás as Misstallica e as Queen Diamond para se juntar à banda da Georgia a tempo inteiro, falou sobre o contributo musical que deixou em “Gold & Grey” e da surpresa que é ouvir-se a si própria num disco. «Trabalhámos arduamente em conjunto para criar este álbum», refere. «Eu e o John [Baizley] trabalhámos em muitas harmonias vocais, mais do que aquilo que eu esperava. Ao ouvir agora, dou comigo a pensar que é mesmo a minha voz que ali está. Mesmo actualmente, ao ouvir o disco e ao ensaiar para me preparar para a tour, ainda me surpreendo por ouvir as minhas ideias e o meu som de guitarra. [risos] Mas como eu estava a dizer, e no que respeita à construção dos temas, foi um trabalho de equipa.» A entrevista termina com uma mensagem acerca dos seus colegas nos Baroness: «São pessoas maravilhosas. Vejo-os como seres humanos superiores e pelos quais tenho muita estima. [risos]»

“Gold & Grey” sai a dia 14 de Junho de 2019 através da própria editora dos Baroness, a Abraxan Hymns.

O podcast #3 da Metal Hammer Portugal é precisamente sobre Baroness e conta com mais declarações de Gina Gleason. Ouve AQUI.

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